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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Par Perfeito (?)

Coisa complicada é ser gente grande, as pessoas deveriam dizer para as crianças e especialmente para os pré-adolescentes. Ser grande é difícil, cansa e dá um trabalhão danado. Quando você é criança você quer muito pouco da vida, quando está na pré-adolescência (e na adolescência também) você quer exageradamente muito. Vejamos os relacionamentos, se você tem 5 anos seu relacionamento ideal é com o menino mais bonito da classe, e ele nem precisa gostar de você de volta, você gosta dele e pronto é seu namorado, perfeito, sem dor de cabeça, sem sofrimento, sem lágrimas, sem decepções. Salvo aquela menina linda que teve o coração partido pelo professor (vídeo aqui). Quando você tem entre 12 e 15 anos o relacionamento ideal é aquele de conto de fadas, com um cara que se pareça com o Marcio Garcia (pelo menos ele era minha maior paixão quando eu tinha essa idade, a quem eu estou enganando ele É minha maior paixão desde Tropicaliente), ele é romântico, tem pegada, é educado, seus pais gostam dele, suas amigas gostam dele, você gosta dos amigos dele, ele te leva nos seus lugares favoritos, vocês gostam das mesmas coisas e bem...até você descobrir que esse cara não existe você vai tentando achar alguém assim ou transformar uma pessoa que chegue perto disso no namorado perfeito. Então passam mais alguns anos (eu tô só supondo porque não passei dos 16 ainda cof cof cof) e você começa a diminuir seus sonhos (se tem mais de 20 anos e está a espero do homem perfeito uma surra é bem merecida), mas não seus padrões. Falemos de mim (não é legal como eu escrevo de um modo que parece que sou lida por milhares? adoro isso), eu sei que não vou achar um Marcio Garcia de idade entre 26 e 30 anos, solteiro, com carro, que goste de Glee e Once Upon a Time, que agrade minha mãe de cara, que tenha uma mãe cabeleira especialista em escova progressiva e que nunca me cobre porque me adora, tenha uma casa de praia, goste de ir ao cinema, adore comer pizza, tenha amigos que eu adore, goste de cachorros, botafoguense, carinhoso, atencioso, não tenha amigas, fiel, bem humorado, engraçado e viciado em The Sims. Até porque se esse homem existir, aposto que ele é não é heterossexual. Mas, não é porque eu sonho menos que meus padrões são menores também. Não sou dessa que exige características físicas, até porque se eu quiser um Marcio Garcia eu teria que ser, no mínimo a Jessica Lucas, mas tem algumas coisas que eu quero em namorado, o primeiro passo é eu ter sempre noção de que ele não vai ser perfeito, nem ideal, nem que me complete, mas ele precisa ser bem-humorado, ter paciência (porque eu sou chata pra caralho), me deixar tímida só com o jeito de olhar pra mim, gostar de conversar desde bobagens que não façam o menor sentido até coisas sérias, ser carinhoso (eu curto carinho), me surpreender vez ou outra com alguma coisa de mulherzinha (que não sejam flores, flores tem cheiro de velório), perguntar como foi meu dia, me beijar quando eu não estiver esperando, me apresente aos amigos, me leve pra sair de vez em quando (nem que seja uma rolê no Cariocão), não reclamar que eu sou desbocada (falo uma caralhada de palavrão mesmo, não gostou me engole), ser sincero (descobrir uma mentira dói igual tomar chifre), ser fiel (deu vontade de catar outra, pé na minha bunda e vida que segue) e heterossexual...na boa, não tô pedindo muito, aceito que tenha defeitos, passado, amigos babacas....claro era mais fácil lá com 5 anos, mas ninguém me avisou que crescer era tão complicado, o que me diziam é que eu ia querer voltar a ser criança, mas NUNCA me disseram o porque.
Nesse exato momento, as vezes acho que estou num relacionamento com uma pessoa dentro dessas características, as vezes acho que não estou em nenhum relacionamento, as vezes acho que tá melhor pra mim do que pra ele...bastante coisas na lista estão dentro da lista, outras bem fora e outras eu não tenho certeza. Aí eu sigo determinada a investir, fazer dar certo, mas vem aquelas coisas que desanimam e vem a vontade de chutar o balde e vem a sensação de que não vale a pena lutar e vem a complicação de ser grande. Uma criança já tinha desgostado e achado um novo namorado, uma adolescente já tinha sido passional e quebrado tudo (e talvez consertado) e eu fico aqui...com medo de meter os pés pelas mãos, de falar de mais, de reclamar a toa, de ser a chata, de afastar de mim...se rolasse uma liberação eu voltava pra 199 onde minha única preocupação era não perder a hora da novela e ter meu namorado perfeito, bem ali em 14' na sala.



That's All Folks

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