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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ainda falando em coisa boa...

Michele Smolski, 30 anos, 2 filhos e mais 1 a caminho:


Vamos lá, deixe me resumir rapidamente meses antes... Vivia uma vida normal, algumas festas, namoricos, trabalhava de vendedora externa de uma pequena distribuidora, tinha uma moto enfim nada de incomum da maioria dos jovens brasileiros, foi quando o Felipe começou a me flertar, erámos vizinhos há muitos anos, mas nunca me passou pela cabeça ficar com ele, além do mais estava envolvida há 3 anos com um amigo, que também era amigo do Felipe...Um belo dia depois de me maquiar 3 vezes e borrar tudo com choro por causa do tal amigo, saí com uns colegas fomos ao bar onde o Felipe trabalhava de garçom esperamos ele sair, comemos um cachorro quente e o povo começou a pilhar para que ficássemos, e foi o que aconteceu... a partir desse dia começamos a ficar todos os dias e quando vi já estava namorando, apesar de ser pouco tempo pela intensidade do relacionamento parecia que estávamos juntos há anos, ele foi meu primeiro namorado oficial... A mãe dele e eu nunca havíamos nos falado, foi quando as fofocas começaram, existiam conhecidos em comum que falavam coisas que ela dizia e então eu rebatia, esses conhecidos ficavam de leva e trás dai já viu né...O Felipe não podia ir em casa sempre porque tinha que cuidar dos irmãos na época com 5, 8 e 10 anos... A paróquia do bairro estava realizando um cursinho pré vestibular e foi a oportunidade perfeita para podermos namorar todas as noites, nos inscrevemos e ficávamos o tempo todo de aula trocando bilhetes isso quando íamos, mas minha mãe viu nisso a oportunidade para que eu começasse a estudar, sinceramente não via a mínima possibilidade de passar no vestibular, aluna de escola publica a vida inteira, fiz curso profissionalizante que não prepara para vestibular e já havia 5 anos que tinha concluído o bendito do magistério e nunca mais peguei um caderno nas mãos... Queria viver o momento mesmo, falei pra minha mãe que não tinha dinheiro pra inscrição e ela disse que pagaria... enfim... na terça feira antes do domingo que ia começar o vestibular me acidentei voltando do trabalho, a moto caiu em cima da minha perna e fez um rombo, me ralei inteira braços, barriga perna... No dia do vestibular tentei fazer corpo mole mas minha mãe me deu uma dura e me “obrigou” a ir, foram 3 dias de provas e a surpresa foi que passei em 24º lugar no curso de Secretariado Executivo Bilíngue da Unioeste, uma das universidades publicas mais conceituadas do Paraná, minha alegria foi imensa, minha mãe chorou, fizeram uma comemoração e tudo... Nesse momento o único problema era que o campus que eu tinha escolhido era na cidade vizinha, o Felipe ficou feliz por mim mas triste porque não passou... No final de ano após algumas desavenças e uma quase separação, o Felipe foi morar comigo na casa da minha mãe, a minha sogra disse que ele não poderia ficar com um pé em cada barco e ele decidiu apesar de incerto “pular para o meu”... Quando as aulas começaram meu relacionamento estava muito perto do fim, eu tinha outros interesses, a fase da paixão inicial havia passado enfim, questão de tempo para tudo acabar... Lembro-me da primeira vez que entrei no ônibus que fretei para ir à faculdade, sentei-me olhei pra fora e disse: hoje é o primeiro dia para que eu possa mudar minha vida... Foi quando pra minha surpresa dia 31de março de 2005 depois de um atraso menstrual fiz um beta e estava escrito em letras garrafais: POSITIVO, não sei explicar a sensação me senti impotente, não aceitava, chorei pensei e agora, o Felipe ficou mega feliz talvez por saber que a crise passasse... Foi ele quem contou pra minha mãe que ficou desapontada, mas já se acostumou.. Continuei no meu emprego, trabalhava de moto andava o dia todo pela cidade vendendo, a noite pegava o ônibus e ia pra faculdade na cidade vizinha... O Felipe perdeu o emprego no bar, começou a trabalhar em outro novo mas não deu certo, começou em uma fabrica de ônibus mas teve alergia e ficou só um mês... apesar de morarmos com a minha mãe e ela estar nos sustentando naquele momento a dificuldade financeira bateu, eu tinha que pagar a Van porque essas alturas tive que largar o ônibus porque não me levava até em casa e eu chegava meia noite e meia em casa, esse dinheiro R$ 160, 00 fazia muita diferença mas nunca pensei em largar a faculdade por isso... Dormiamos no meu quarto de solteira, e quando um homem de 1,80m e 1 gravida de 6 meses não cabiam mais na cama a coisa começou a apertar... minha mãe tinha uma cama velha de casal, o Felipe fez um estado de pau, arrumamos um colchão que esfarelava todo e tinha um buraco no meio rsrrsrsr o bom que mesmo quando brigávamos não tinha jeito de dormir separado porque o colchão era um funil kkkkkk Eu não era registrada no meu emprego, ganhava cerca de um salário e 4 meses antes do Igor nascer que decidiram me registrar...Já trabalhava lá há 2 anos e meio pois bem por motivos óbvios o GO no 8º mês me proibiu andar de moto pra cima e pra baixo com aquele barrigão, mal conseguia subir na moto, então fui tirar a licença no INSS mas é preciso de 4 meses de contribuição e eu tinha apenas 3, me instruíram ir até a empresa para receber mas ele não me pagaram porque não trabalhei... Graças a Deus o Felipe tinha conseguido um emprego de promotor e deu certo porque ele precisaria da minha moto para trabalhar... Na faculdade estava tudo OK, não sei como não cansava, trabalhava o dia todo, estudava em outra cidade e ainda estava grávida...Adiantei todas as minhas provas e trabalhos e consegui fazer o que faltava em casa, certo que o Igor nasceu dia 27 de novembro de 2005 e as aulas já estavam acabando... Foi-se o primeiro ano restavam só 3... Voltei da licença e pedi demissão, não poderia voltar a trabalhar onde fui tão humilhada e depois o Felipe precisava da moto... Um mês depois de me demitir a diretora da escola perto de casa uma conhecida nossa, sabendo que u tinha magistério me convidou para fazer estagio na escola eram 20 horas semanais, a remuneração baixíssima mas era um ganho... Ganhava cerca de R$ 180,00 mais o vale transporte com o dinheiro pagava a Van e ia trabalhar a pé, já que eram uns 30 minutos de caminhada os VT dava pra minha mãe que tem um salão junto com a casa e olhava o bebê pra mim ele nem tinha bem feito 5 meses... Trabalhava das 10:45 as 14:45 nessa época sequei cheguei aos 41 kg, meu peso normal é 48, 49 porque não almoçava, só lanchava com as crianças as 14:00... o Felipe estava passando por dificuldades no trabalho, ele fazia as cidades vizinhas e varias vezes passou sufoco na BR, apesar de nunca reclamar algo me dizia que aquilo não ia terminar bem, e como tenho intuição forte pedi que ele tentasse um acordo para ser demitido, queria ele vivo... A festinha do Igor comecei a pagar em maio, e conseguimos fazer o 1 aninho dele, nada de luxo mas foi lindo, até filmamos com um amigo que fazia esse trabalho e nos cobrou uma bagatela, eu e o Felipe na filmagem parecemos 2 flagelados da Somália kkkkkk, nessa época eu e a família dele nos aproximamos, passei a frequentar a casa dos pais dele e se desfizeram os maus entendidos, apesar de ganharem bem nunca cogitaram e nem nós qualquer tipo de ajuda... e lá se foi mais um ano... Faltavam 2 ... no comecinho de janeiro o Felipe começou a trabalhar em uma instituição que realizava empréstimos, ele abordava as pessoas na rua e oferecia o empréstimo, eu continuava na escola, mas precisava fazer meu estágio, e como estava fazendo bacharelado , não poderia faze-lo na escola( na verdade eu não queria mesmo), a diretora estava abusando já... como eu ficava na hora do almoço com 2 turmas do integral, 2 X por semana tinha que ficar com 4 turmas em uma salinha, média de 70 crianças e dava conta (sentava todos eles no chão e cantávamos todo o repertório do xuxa só para baixinhos rsrsr) não tinha nem paciência para o meu filho, brigava com ele, até hoje me dá um nó na garganta de pensar no que fazia, enfim pedi baixa no estágio remunerado para começar a fazer meu estágio de faculdade, foi quando dia 09 de maio de 2007 descobri que estava grávida de novo, dessa vez fiquei feliz mas com medo... Criticas não faltaram, as pessoas comentavam nas minhas costas eu podia sentir, soube de alguns, como eu poderia ter engravidado de novo morando de favor num quartinho minúsculo na casa da minha mãe... palavras de desincentivo não faltaram, perdi as contas de quantos falaram pra eu parar a faculdade e cuidar das crianças, arrumar um emprego, apenas minha mãe batendo não desista...3º ano grávida novamente e com um filho de menos de 2 anos assim que sai da escola fiz um curso de escova progressiva então conseguia tirar uns R$ 450, 500 por mês conseguia clientes mais no fim de semana, assim me dava um folego para o estágio do fazer o TCC... nesse meio tempo o Felipe abordou um senhor na rua para fazer um empréstimo e ele o convidou para um processo seletivo para uma empresa farmacêutica, ele foi e o convidaram para um processo em São Paulo, iam em 2 o escolhido a empresa pagaria as custas da viajem, o outro não...Disse a ele: Vai... pegamos dinheiro emprestado e sem garantia nenhuma ele foi, e deu certo, entrou na vaga era um laboratório pequeno que nem existem mais, o salário era baixo pra categoria mas era a porta de entrada...tivemos que comprar um carro para que ele pudesse trabalhar em 48 “suaves parcelas”, quanto a mim continuei firme nas minhas escovas, gravidez, filho e faculdade, tive o Caio dia 07 de janeiro de 2008, durante as férias... O último ano foi crucial tinha 2 bebês, e um TCC pra fazer... um computador que compramos usado com processador dos primeiros que existiram e uma internet discada, eitaaaa, as escovas ajudavam muito eu não podia parar, ano foi intenso...em outubro o Felipe foi convidado a trabalhar em um laboratório maior, não tinha palavras pra descrever tanta felicidade, ele foi para o treinamento em Curitiba, e coincidiu bem no dia da minha banca... Detesto falar desse dia, ele foi muito traumático: minha banca seria 14:00, fui na rodoviária e cheguei a Toledo as 10:50, queria almoçar e estudar um pouco, desembarquei na rodoviária de Toledo e como os 4 anos fui só de Van pra facul peguei uma rua erada e me perdi, andei, andei, andei... Andava e chorava, até que consegui chegar as 13:15 comi um saduiche rápido na cantina me lavei e troquei a roupa e estava na hora... aquelas alturas meu psicológico estava completamente afetado, nem sei como consegui apresentar, enfim acabou, passei, mas parece que fiquei devendo... Peguei DP pela primeira vez em 2 matérias, em uma passei e na outra a vaca da professora me reprovou por 2 décimos, implorei para ela reverter, mas ela disse que já havia entregado as notas... Depois de tudo que passei achei injusto tudo aquilo, hoje vejo que foi a melhor coisa precisava desacelerar... No final do ano o pai do Felipe nos ofereceu a casa onde eles moravam porque eles se mudariam para uma chácara que haviam comprado, enfim conseguimos sair da casa da minha mãe, ela foi maravilhosa conosco mas precisávamos de privacidade, e mais que um quartinho para morarmos....conseguimos comprar os móveis, montar o quarto dos meninos, a casa é muito maior que a da minha mãe e era só nossa... Tive um ano sabático, dedicado aos meus filhos que até então nunca tinham desfrutado da minha presença em tempo integral, a minha casa, minhas coisas, e fazia a bendita matéria que reprovei... em novembro tive que prestar o ENADE e mais uma vez o destino me pregou uma peça, o motor do carro arrebentou 2 quadras antes do local da prova, o Felipe que tinha ido me levar tentou correr comigo a pé deixamos as crianças no carro, mas foi inútil os portões haviam se fechado há 3 minutos... eu uivava na rua, chegamos no carro de volta os meninos estavam em prantos assustados chorávamos no mesmo tom os três, consegui um atestado, mas teria que ser validado ... Em março aconteceu toda aquela história que contei outro dia no diário... da crise que passei no meu casamento, em julho me ligaram e me convocaram para a colação extemporânea e enfim me formei... não teve pompa, foram apenas alguns alunos, mas recebi meu diploma... Nesse momento tive a certeza dos planos que Deus tinha pra mim, ele veio na melhor hora que poderia ter vindo, foi onde tomei coragem para sair da depressão... Eu estava horrível, e aquilo me fez renascer... Apesar de tudo nunca pensei em desistir, meus filhos foram meu combustível, eles precisam de exemplos, valores e não me teriam como referência se eu resolvesse simplesmente fazer as coisas de modo trivial, tenho ainda uma longa estrada pra percorrer, e essa nova gravidez me deu folego, vontade de terminar meu MBA, de realizar meus planos profissionais e pessoais, quero ser a mesma mulher de garra que minha mãe é...Se Deus quiser com um passo de cada vez, com o amor que tenho nos meus filhos me dando força, eu sei que posso chegar onde eu quiser...

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