Páginas

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Falando em Coisa boa...

Sabrina Katroppolus Shcultz (raio de sobrenome difícil da gota), 22 anos, 2 filhas e mais uma a caminho:


Quando eu engravidei a primeira vez eu tinha 18 anos e estava terminando o Ensino Médio, o pai da minha filha era o sobrinho de uma amiga de infância da minha mãe e morava na Grécia, fiz minha filha na viagem pra celebrar meus 18 anos, quando fui pra lá. Desde o começo minha mãe ficou contra mim, até porque eu tinha um “namoradinho” que ela queria com quem eu me casasse, quem já assistiu casamento grego pode imaginar o que é minha mãe e essas tradições idiotas.  Minha gravidez foi uma benção, apesar do pai não querer assumir, da minha mãe me julgar e de eu ter que ir pra escola toda dia de manhã. Em dezembro de 2008 conclui a escola e em abril de 2009 nasceu a Safira, parto na água com doula e um obstetra maravilhoso que topou minha loucura. Quando minha filha fez 1 ano, o pai dela veio ao Brasil e fomos os 3 pra Fernando de Noronha comemorar e lá fiz minha segunda filha. Eu tinha 19 anos, uma filha de 1 ano, um homem que nunca tinha dado nada para a filha antes daquela viagem e outro bebê a caminho. Minha mãe quebrou a casa, hihihi, e me colocou pra fora, então meu irmão me acolheu e eu fui morar em São Paulo, meu pai alugou um AP pra mim e assumiu todos os gastos, e lá fui eu colocar a Safira na creche e correr atrás de emprego. Em agosto de 2010 eu entrei na faculdade, e minha rotina ficou insana. Era levantar cedo  colocar a Safira na creche, ir pro trabalho e de lá ir pra faculdade, sair da faculdade pegar a Safira na casa do meu irmão e ir pra casa. Aos finais de semana entrei na auto-escola porque precisava de um carro pra dar conta de tudo sem ficar doida. No andar de baixo um rapaz de 25 anos, solteiro, sem filho e vendedor de uma loja de sapatos me dava a maior moral, todo sábado ficava no parquinho, conversava comigo, brincava com a minha filha e se tornou um grande apoio na gravidez. Em novembro no aniversário dele, ele nos chamou pra sair, e lá fui eu com 31 semanas de gravidez e uma filha de 1 ano e pouquinho jantar com ele. Ele se declarou e eu fiquei meio sem acreditar. Levei 3 semanas pra acreditar que ele me queria naquele estado e com meu vale brinde. Em janeiro de 2011 nasceu a Greta em março o Marcio e eu fomos morar juntos na casa dele.  Ele é doido pelas minhas 2 filhas e as 2 o chamam de pai, e ele apresenta a todo mundo como sendo filhas dele. Minha vida é um caos, hihihi, eu trabalho de recepcionista numa clínica médica, estudo a noite e quando chego tenho que dar atenção aos 3, mas não trocaria isso por nada. Em fevereiro nós assinamos um contrato de união estável, até conseguirmos dinheiro pra casar na igreja, no papel e viajar de lua de mel, pra Disney, com as crias todas. No final de maio descobri mais uma gestação, hihihi, e já fui muito criticada, as pessoas adoram dizer que minha vida acabou, que eu não vou chegar a lugar nenhum, que eu sou uma burra irresponsável, mas olha, eu não troco os sacrifícios que enfrento todo dia, meu cansaço extremo, pela vida de colegas que fazem estágio de dia, estudam a noite e saem no final de semana, porque elas não tem carinho de mãozinhas pequenas, elas não escutam “tava com saudade, mamãe”. Eu não não vou ligar e se puder terei mais um depois que me formar, porque eu descobri que dá pra ser mãe, esposa, profissional e se realizada em todos os campos, é só não ser mal amada e mal resolvida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário