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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Acabou...

A música Pra onde vai? do Gabriel, o Pensador tem um trecho que diz: "Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?" e desde a última terça-feira eu fico me fazendo a mesma pergunta. Foram 34 semanas (descobri na 4ª) convivendo com uma outra vida e de repente...acabou. A consulta de pré-natal terminou com um encaminhamento pra maternidade, pra fazer um exame já que as batidas do coraçãozinho do Igor estavam inaudíveis. Vim pra casa, liguei pro Valber pra ele me acompanhar a maternidade e lá fomos nós. Fiz três exames e em todos os eles meu filho não tinha movimentos e seu coraçãozinho batia irregularmente, fui encaminhada para uma ultra de emergência. Esperei por quase 30 minutos (ou mais) pra fazer a ultra e ali acabou, o coração do meu anjo não batia mais. Fui encaminhada para internação, já estava em trabalho de parto, mas como poderia durar muitas horas tive meu parto induzido. As 03:17h do dia 17/10 dei a luz a um menino cabeludo de 53 cm e 2,300 kg, que tinha a boca e a bochecha iguais a do pai e o nariz e os olhos iguais aos meus. Lindo de mais, daquelas crianças que nem parecem RN, mas ele não chorou e nem veio pro meu colo e eu quis morrer. Me deram calmante e me colocaram pra dormir. Não faz nem uma semana, mas parece que fazem anos, que foi em outra vida. Quis morrer em mais duas ocasiões, na quarta quando acordei com os seios cheios de leite e soube que não teria pra quem dar e no momento que soube do horário do enterro. A dor é inexplicável, a sensação de vazio, a falta dele aqui. Eu vou melhorando, tenho recebido muito amor. O pai do meu filho, meu namorado e companheiro nesse momento foi e é imprescindível pra mim nesse momento, minha família (a família, não os parentes) e meus amigos (e nesse grupo coloco as meninas do BBC em destaque, com a tsunami de amor que elas me mandaram). Sem essas pessoas minha sanidade mental teria sido afetada. Da equipe do hospital a psicóloga Mariana Arcanjo (espia o sobrenome da danada) também me foi de grande valia, me ouviu e viu chorar por horas, e a enfermeira que me assistiu no parto, me foi um anjo enviado do céu. Seu plantão terminava as 20 h, mas ela ficou e só saiu depois que eu já havia parido e transferida pra enfermaria as 4 h. No momento da minha internação ela me disse "Espíritos iluminados não precisam nascer pra cumprir sua missão" e é nisso que eu tenho me apoiado, como disse a Dai fui escolhida pra ser "mãe de anjo".

Meu filho foi desejado, amado, planejado e curtido. Se pudesse voltar no tempo, sabendo como essa história termina: FARIA TUDO OUTRA VEZ.

Encerro com fotos que deixam o amor que ele era cercado pra todo mundo ver e com duas músicas . "Amar Você" da Fernanda Brum, que eu cantava pro meu anjo e "Gostava Tanto de Você" do Tim Maia, que é uma declaração de um pai apaixonado que perdeu sua filha.





















Queria relatar meu parto, sonhei com o post do relato de parto desde o começo da gravidez, tive um parto tranquilo e rápido, mas não sei se é boa ideia. Não sei também quando volto ao blog...por enquanto...

That's All Folks.


2 comentários:

  1. QUERIDA NEM TENHO PALAVRAS NESSE MOMENTO, TB NÃO POSSO NEM DE LONGE IMAGINAR, MAS DESEJO QUE O ESPIRITO SANTO DE DEUS POSSA CONSOLAR SEU CORAÇÃO TODOS OS DIAS...

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  2. Mari, chorei muito lendo seu post.
    Vc foi muito sutil com as palavras pois mesmo não tendo passado por essa situação acredito que a dor seja imensa. Deus seja contigo e conforte seu coração, pois por mais que eu tente, não terei palavras para isso.
    Estarei orando sempre por vc!!!
    Saiba que vc é ua guereira e verdadeiramente uma escolhida para se MÃE DE ANJO

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