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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Retrato

Acordei ontem as 6 da manhã, quando a Nathália chegou em casa e não quis dormir...conversamos, jogamos bola uma pra outra, brincamos de Alerta Cor tudo dentro do quarto, eu sentada na minha cama e ela na que havia sido improvisada pra ela no chão. Tomei banho, café da manhã e acompanhei o namorado até o mercado, ele precisava comprar um novo par de chinelos antes de sairmos, os chinelos vieram errados e voltamos ao mercado. Depois embarcamos no carro, um clube dos mais longes era nosso destino. O dia foi divertido, banho de piscina, passeio entre as árvores, fotografias e o retorno pra casa. Planos para o futuro na cama, uma barata voando janela adentro e eu não dormindo mais, por medo que ela ressucitasse (meu medo desse inseto nojento é patologico). Horas encarando a parede do quarto escuro sem pregar o olho, pareceu uma eternidade, por vezes ganhava um abraço, um cheiro, mas a hora não passava e ele não acordava. Enfim a bexiga avisou que não aguentava mais e levantei-me, o relógico marcava 04:27h, já era segunda oficialmente e em alguns minutos a casa seria preenchida de sons e eu encontraria no meu canto solitário abrigo durante todo o dia. Aconcheguei-me na cama nos seus braços, lugar que me sinto mais confortável, talvez o único lugar que me sinta confortável. Durmo, sonho com algo estranho...algo que beira o bizarro, mas antes que me acostume com o sono sinto que estou só na cama e desperto.
Café da manhã, despedida no portão e meu canto solitário. Não tenho internet então tenho pouco a fazer, posso apenas planejar o futuro, revisar meus planos e arrumar o quarto. Encontro a camera, meu coração se enche de esperança, a camera esquecida é uma esperança de que terei companhia durante a noite. Aviso que a camera ficou, e recebo como resposta um convite para leva-la...e vou. Passeio, mãos dadas, sorvete. Não a preocupação ou problemas, esqueço a dor ou ao menos a sufuco debaixo da esperança. Na volta pra casa trago no rosto o esboço de um sorriso, o dia não seria tão ruim, enfim. Cama de casal, quarto dos pais, melhor lugar pra fugir do medo, sempre  funcionou. Olhos fechados, corpo relaxado, cabeça a mil e sono não vem. 2 horas e depois 3. A fome faz companhia ao sono e também não vem. Sem dormir, sem comer, talvez um abraço apertado resolva. A internet volta, os trabalhos recomeçam. O cartão fica lindo, preciso mostrar, mas não tenho notícias. Não posso entrar em contato, cada um precisa ter o seu espaço, não posso deixar minha carência invadir o espaço do outro, não faz bem pro relacionamento "Amor de mais sufoca" minha mãe sempre disse. Continuo trabalhando, não posso parar. Meu canto solitário, fico nele por horas, o cérebro já não se empolga com o trabalho, mas o sono continua não querendo vir brincar,a  fome também não, mas a dor e a carência, essas não querem ir a outro lugar, montam acampamento aqui todo dia 17. O relógio indica que o dia acaba em duas horas e lá vou eu rastejar, procurar, preocupada e com medo. Medo do destino me dar outro golpe e me tirar alguém que amo, medo de estar sendo enganada, medo da solidão, medo...mas o retorno vem logo, coberto com farrapos, história estranha, suspeita ou ciúme bobo de um cérebro cansado por estar a quase 48 horas do sono.Talvez o sono venha antes do sol voltar a nascer, talvez a fome venha antes que a fraqueza consiga chegar, talvez alguém perceba que somenta minha sombra está aqui e me resgate....talvez....

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